domingo, 31 de julho de 2011

Morto

São onze horas da noite
onze e vinte exatamente
não posso falar com ninguém
tenho que permanecer calado
(escuro, apertado, frío e solitário)
afinal, mortos não falam (nem escrevem)

Uivo

Uivar; sempre tive vontades.
No fundo, eu´passo a vida a uivar
um uivo abafado, surdo.
Ele faz tremer as paredes de casa
e quebra cristais
e meu ouvido sangra e dói

Toda a humanidade ouve o silêncio
do meu uivo surdo e solitário.
Todo corpo que ouve uiva comigo
e sangra seus ouvidos castos
e não sabem parar
como eu não sei parar de uivar

afinal, sempre tive vontades
no fundo, eu sempre uivei
e assim giram mil maravilhas
e assim se fazem os sonhos
e assim se brinca o perigo
e assim se sabe da noite
e assim se quer o futuro
e assim se esquece o passado

e assim giram mil girassóis
e assim se completa o ciclo
e assim se sabe dos ventos
e assim se criam as lendas
e assim se recria o passado
e assim se constrói o presente
Volta e meia me vejo dando voltas pela sala
falando sozinho e fazendo gestos sem nexo
fazendo graça para alguém invisível
trocando palavras com alguém que não está.

Fico triste e contente ao mesmo tempo, faço careta
tormenta em copo d'água sem líquido dentro
e dentro de mim um vazio enche meu peito
e quando olho no espelho vejo um pouco de você
em mim.

Solidão a dois

É tarde e a noite
se expande suave ao meu redor
para encontrar seu tom

É tarde e a Lua
se veste com sua nova cor
para encontrar o sol

Mas seu amante não virá
nesta noite nem nas demais
sua alma clara sofrerá
e procurando esperará

Noite e dia
dia e noite
solidão a dois

É dia e o Sol
já brilha sua mais intensa luz
para a lua encontrar

Mas sua amante não virá
nem neste dia nem nos demais
sua alma clara sofrerá
e procurando esperará

Aurora e a Lua
desiste e triste apaga sua luz
para descansar

Dia e noite
noite e dia
solidão a dois

A vida e suas voltas

Já não me supreendem
as pessoas
Não mais me impressionam
os palcos

apenas a vida
e suas voltas

Não sinto saudades
de você
Não me magoa mais
sua falta

apenas a vida
e suas faltas

Sem medo do escuro
ou da noite
Sem espectativa
de nada

apenas da vida
e suas voltas
Palavra lavrada, não.
Palavreado arborizado,
saneado e instalado
no paralelepípedo.

Provar dela lavrada
anti-elaborada, brava.
Cravada na lava eterna
que erma, se auto-alimenta.
amigo eu sou dromedário;
eu bebo a água debaixo do aquário.
Avante, vamos
sigamos os passos firmes
de quem veio antes,
passemos por lugares
que eles sonharam
e agora sonhemos
outros lugares

Avante, sigamos
ouçamos as vozes fortes
de quem veio antes,
vençamos os medos
que eles temiam
e agora temamos
nossa coragem

6 letras em 6 versos de 6 sílabas poéticas

Hermeticamente é
Enclausurado no
Cosmos que lhe atormenta
Tudo o que não sabe,
O nada que conhece;
Resquício de existência.
hiper-amor
imperador

É, eu sei. Fui eu Nada mais para dizer nem perdão, nem desculpas  vão fazer esquecer Hoje acordei tarde mas o pesadelo não acabo...